Ele tinha uma mania.
Era a mania da escrita.As vezes levava dias a procura de historias de todo o tipo para depois levar dias a reeinventa-las todas a sua maneira de escritor ignorado mas esperançoso.
A mulher dizia-lhe todos os dias que parasse de sonhar.Que escritores ja havia aos kilos e que o que era preciso era ir ele ao trabalho , a ver se arranjava dinheiro para se pagarem as contas que ela se fartava de trabalhar.Que aquilo assim nao dava.
Ele de facto nao dava ouvidos a alrazoada constante e
sofredora da mulher.
Pelo contrario ,quanto mais ela se queixava mais a ele lhe apetecia afogar a tristeza matrimonial na escrita.
Para nao a ouvir entupiu os ouvidos em algodao.
A vida passou a ser mais silenciosa .
Continuou a procura das historias para reconstruir e dedicou-lhes ainda mais tempo.Para alem disso tinha arranjado um ajudante ,o que muito o entusiasmou.
Um dia ,estando eles a escrever a maquina, aconteceu incendiar-se a casa ao lado.
Completamente embrenheado na escrita, nao deu por nada.
E continuou a nao dar por nada muito embora as sirenes dos bombeiros apitassem desenfreadamente.A mulher testemunhou mais tarde que apesar de ter gritado ate nao mais poder nao tinha conseguido que ele lhe abrisse a porta ;chorosa disse nao compreender o que havia acontecido.
Quanto aos bombeiros disseram ter encontrado um cadaver completamente irreconhecivel ainda agarrado a uma maquina de escrever.
Quanto ao que quer que ele estivesse a escrever ,nada se tinha encontrado.Depreendiam que os papeis se houvessem queimado no incendio e por isso desaparecido.
Alguns anos mais tarde,estando a viuva a ler um jornal diario viu com grande espanto a fotografia do premio nobel desse ano.Era tal e qual o seu falecido.
Estupefacta viu que o homem presente naquela fotografia ,para alem ser a cara chapada do seu marido,tinha o mesmo sinal na face esquerda.
A vida tinha coisas daquelas,suspirou.O destino,o destino.
Que pena ele ter aquela mania dos romances.Foi a morte dele,pensou.
E levantando-se foi preparar o jantar.
A kilometros de distancia ele sorrindo pensou que a vida era realmente muito estranha.E pensar que se nao fosse o algodao,nunca teria sido premio nobel.
Gracas ao algodao pelo silencio que lhe permitira deixar de ouvir a mulher ao vizinho do lado que decidira deixar queimar a casa e ao ajudante que morrera enquanto o ajudava, escrevendo a maquina o texto que ele ia ditando.
Sim de facto a vida tinha coisas daquelas disse para si proprio acendendo um cigarro.
Foi a morte dele pensou.
E saiu para ir jantar com o editor.
Posted by mariahenriques 
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